Ernakulam

Ernakulam é outra das "ilhas" de Cochim. Ao longe, vista do ferry, parece pacata. Quando se desembarca porém, não restam dúvidas de que é a maior,  a mais populacional,  comercial e agitada de todas. 


Não resisti a um esboço muito rápido, quase em andamento, do mercado quente e abafado, tapado em busca de sombras por enormes  plásticos azuis.

Fort Kochi: Praia, passeio marítimo e redes de pesca chinesas







Não se pode falar desta cidade sem pensar no seu gigantesco passeio marítimo, onde ao fim do dia toda a população vem passear, beber uma água de côco, comprar uma guloseima, ver as redes de pesca chinesas a serem levantadas, ou apenas andar na praia ou ver o mar. 





O ambiente é difícil de descrever:

É animado, há muita gente - de vários credos e religiões! - mas ao mesmo tempo é calmo e tranquilo, porque é um espaço de lazer ao fim do dia, quando o ar refresca e e as famílias e os amigos se juntam descontraidamente à espera que a noite chegue.

É irresistível tentar desenhar, mas impossível conseguir dar uma ideia aproximada de tudo isto.
Ainda assim, deixo aqui aquilo que fiz ...







O clima é muito húmido, às vezes caiem monções mas, ainda assim, conseguimos escapar sem valentes molhas, mesmo quando no mar a tempestade caía de forma ameaçadora.




Cochim e Vasco da Gama



 Cochim é a maior e mais cosmopolita cidade do Kerala. É feita de um aglomerado de pequenas ilhas espalhadas numa espécie de gigantesca lagoa de àgua salgada. Aqui viveu  Vasco da Gama durante 22 anos. Foi sepultado na  lindíssima Igreja de S. Francisco, em Fort Cochi (a mais bonita dessas ilhas) onde esteve algum tempo até ser transladado para Portugal. Ver a sua pedra tumular, nestas paregens distantes, é  de algum modo emocionante...








Passear em Munnar

Impossível não gostar de Munnar, do seu caótico bazar, dos seus  mercados ocultos com  reconditos costureiros, das lojas de especearias, das clássicas barbearias, do colorido dos plásticos, da chuva, do barulho, da confusão. (E, lá está, o caderninho da Ketta sempre na mão :))



Munnar e as plantações de chá

Continuar na louca e viciante costa Tamil Nadu (e retomar o percurso  perdido),  ou saltar directamente para o Kerala ( na costa oposta da Índia): eis a questão!
A frescura e a calma do Kerala pareceram mais compatíveis com o estado de recuperação do nosso  (ainda débil) doente. Avançámos assim para a zona de montanhas onde, a muitos metros de altitude - e por entre densa e lindíssima vegetação tropical-  crescem gigantescas plantações de chá, sempre com muitas e coloridas mulheres a trabalhar.


 A tranquilidade de Munnar pediu um desenho de cores frescas, que nem de longe consegue retratar a força da "tropicalidade" que aqui se fazia sentir

O templo de Madurai, Tamil Nadu

Tamil Nadu é o nome de toda esta região do sudeste da  Ìndia,  onde proliferam grandiosos e belíssimos  templos hindus, que testemunham o florescimento da cultura Tamil.
Fomos ao templo de Madurai ao fim da tarde, pela primeira vez. A mulher polícia que controlava rigorosamente as entradas das mulheres, inspeccionou a minha mochila   e -  não sem antes ter bisbilhotado todos os meus cadernos e os ter  inclusivamente mostrado ao colega masculino  que fazia o controle dos homens, no meio de muitas interjeições de agrado - pegou nas canetas e nas aguarelas e declarou impreterivelmente: NOT ALLOWED!
Como a câmara do Vasco também era "not allowed", fomos os dois (descalços, porque os sapatos já tinham sido deixados noutra entrada do templo!) num instante e de  tuktuk, pôr todo o material censurado no hotel. Juntámo-nos rapidamente aos outros e ali ficamos, dentro do templo, até ser noite.
Quatro pirâmides como esta definem um recinto cheio de santuários, onde centenas de pessoas praticam os mais incríveis rituais. Por todo o lado há concertos de música carnática, pinturas, esculturas, fogos, procissões...enfim, uma loucura mas...sem caderno, faltava-me qualquer coisa. Voltei com o João Pedro às 6 da manhã do dia seguinte. Tentei de novo a minha sorte, mas o not allowed fez-se de novo ouvir. Deixei o João Pedro entrar e fiquei sózinha, cá fora, na rua,  num ambiente bem mais fresco e  sereno que o da véspera. Felizmente,  na rua, tudo é "allowed" e consegui fazer tranquilamente o meu desenho...



Estradas, pessoas, e muita animação!

Desenhei estas camionetes  a correr, entre  muitas iguais ou parecidas que rapidamente passam por nós nestas estradas, para logo desaparecerem do nosso ângulo de visão. Estavam na estrada de Chennai para Madurai, mas podiam estar em qualquer outro sítio da Ìndia porque aqui, qualquer coisa que ande e tenha rodas, está sempre apinhada de gente.
O curioso é que estas pessoas, que se amontoam à chapa do sol e sob temperaturas desumanas em tejadilhos, motas ou minúsculas caixas abertas de camionetas, estão invariavelmente bem dispostas, alegres e animadas e  acenam-nos sorridentemente, sem excepção.
Qualquer viagem é uma aventura lenta, agitada e buliçosa mas, seguramente também, animada, divertida e, por tudo isto,  fantástica!

On The Road Again - De novo os cinco :)))))

Dias felizes, desenhos alegres: retomam-se as férias, recupera-se o tempo perdido,  fazem-se  horas de carro, e muitos, muitos  desenhos de estrada...





Kapaleeshwarar Temple, Chennai

O Pedro teve alta, ficou um dia a descansar no hotel e ao fim da tarde fomos "turistar" um pouco. Acabou o pesadelo? Amanhã, fazemo-nos à estrada?


A praia de Chennai

É extraordinário o ambiente da praia de Chennai, com os seus cavalos, vendas, milhares de pessoas, carroceis, algodão doce, balões, barracas ferugentas, crianças e ...corvos. Muitos corvos. Acho que é um cenário inenarrável com palavras, muito menos com desenhos, mas talvez estes dois registos, misturados com algumas fotos, consigam passar a ideia deste lugar meio onírico, onde passámos umas horas durante alguma sesta do Pedro.









Apollo Hospital, Chennai

O Apollo é um hospital enorme, que deve receber milhares de pessoas por dia.Todos correm atarefados de um lado para o outro numa azáfama indescritível e,  em qualquer corredor, há pessoas de todas as idades, castas  e religiões em permanente movimento. Fiquei lá algumas noites e, enquanto o Pedro dormia, com mais ou menos tempo, fui fazendo alguns desenhos...




Uma viagem muito peculiar...

Teve que ser! Era prudente ir para um hospital maior, supostamente melhor, mas que ficava em Chennai, antiga Madras, a muitas horas de viagem. 

Não posso "passar a página" sem referir a inesquecível ajuda deste casal, que foi incansável ao longo de todo este processo. Não é a primeira vez que passo por uma situação difícil longe de casa, e sei que há pessoas que ficam para sempre dentro de nós, envoltas num profundo agradecimento e amizade. Foi o que aconteceu com o Ravi e a sua mulher.                                                                                                                                                

                                                                                                                                                                             














 





  E, como a viagem foi realmente comprida (e bastante stessante!), nada melhor que desenhar o que ia vendo...




Fins de tarde em Pondicherry

Quando temos que ficar muitos dias num sítio inesperado, descobrimos coisas que de outra forma nunca conheceríamos, arranjamos rotinas novas e passamos a gostar desses sítios de uma forma especial. Foi o que aconteceu em Pondicherry. Ao fim da tarde,  deixava o Pedro um bocadinho sózinho, a descansar  e  ia rapidamente, com o resto da família, aos sítios que eles iam descobrindo ao longo do dia: ao animado passeio marítimo, a um templo, a uma esplanada...
E assim se foram passando os dias...




Quando nem tudo corre bem...Hospital de Pondicherry




Como é possível desenhar numa situação destas? Pois é...não foi a primeira vez que descobri que,  em ocasiões como esta, o desenho tem para mim  funções quase terapêuticas. É um excelente  contentor de ansiedade, restitui um contexto de calma interior, distrai, ajuda a passar o tempo... e, em última instância, estabelece pontes afectivas entre as pessoas, o que nestas alturas é também muito importante.              
 Põe-se,também aqui, outro dilema: até que ponto é íntimo um diário gráfico ou um caderno de viagens? O que mostrar ou não mostrar? Encontro a resposta a estas questões na presunção de que os visitantes do  meu blog não são estranhos. São pessoas que me conhecem, são meus amigos...E é assim decido pôr aqui estes desenhos.



Cerimónia religiosa


A caminho de Pondicherry, num pequemo templo à beira estrada, estava (como sempre, aliás...) a decorrer uma intensa cerimónia religiosa, com muitas mulheres, musíca, tambores, danças, fumos e outras vibrantes manifestações, que incluiam furar as bochechas de duas mulheres, com ferros dum lado ao outro, como se de brincos gigantes se tratasse.É assim o hinduísmo: aparatoso,complexo,  intenso,  barulhento, fascinante, viciante  e... muito, muito difícil de compreender!



Lojas- queria desenhá-las todas

As lojas na Índia, como em muitos outros países, nada têm a ver com o nosso conceito tradicional de comércio. Pouco mais são que pequenos buracos escavados e, no entanto, seja pela diferença, pela cor ou pela  simplicidade, são lindas e todas elas parecem ter um letreiro a dizer: "Desenha-me!".
Em Pondicherry, escolhi  uma venda de arroz e cereais, e uma colorida loja de fruta.
Quem já desenhou em sítios como estes, sabe a curiosidade que o desenho cria nas pessoas, que imediatamente se põem por trás do nosso ombro como "papagaios de pirata", a ver tudo o que fazemos. As vergonhas e o medo de desenhar mal, perdem-se nestas paragens logo no primeiro dia!
Se há sítio também, onde  o desenho aproxima as pessoas,esse sítio é aqui!






No mercado, escolhi a venda de batatas e cebolas porque, para mim, era a que tinha  cores e luzes mais incríveis!